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oh, sim, sibilos

desacortine
minha bela,
desacortene as linguagens da mente.

oh, voz sussurrante
a quem pertences?
o que tanto suplicas?

a dor vem do saber
só quem pena pelo ingênuo
é quem o sabe
o ingênuo apenas vive, o inocente,
como culpá-lo?

desacortine,
tu não o é,
e nunca o foi.

você vê o belo com mais clareza
e o doentio com mais pavor
o mau olhado de relance assusta
e é tão mais negro aos olhos de quem fita.

e esse grito que não se cala?
o meu ser quer continuar em movimento,
como uma salvadora ou guerreira
quem me daria a coragem que me é escassa?

desacortine,
não se é dado
se testa, e sempre dói.

é disso que tenho tanto medo?
da dor que virá não importa a escolha que se faça?
não conheço outra maneira,
apesar de pouco conhecer
conhecer quase nada.

ser por trás da cortina
quem és?
e o que queres?
pareço reconhecê-lo, mas não há certeza.

como parar o medo?

Vamos, minha bela
parar o medo é fazer dormir o humano,
e o que se fazer com uma carcaça vazia?
com seu belo medo ao lado do peito,
                                                               desacortine.

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